Crônica: A Cidade Depois das Seis

A Cidade Depois das Seis J.B. NETO Há uma hora em que as cidades mudam de rosto. Não acontece exatamente quando anoitece. A noite é apenas a consequência. A mudança começa antes, quando os comerciantes abaixam as portas, os funcionários deixam os escritórios, os últimos clientes saem das lojas e as ruas começam a perder […]

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Crônica O Homem que Esperava o Ônibus

Em uma noite chuvosa, um homem espera durante horas por um ônibus que parece nunca chegar. Enquanto espera, observa passageiros, vendedores, mendigos, estudantes, trabalhadores e casais atravessando a rua. A espera pelo ônibus transforma-se lentamente em uma reflexão sobre todas as coisas que ele esperou durante a vida: um emprego, um amor, uma oportunidade, uma mudança. Quando finalmente o ônibus aparece, ele já não sabe se ainda deseja embarcar.

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Crônica: A Última Mesa do Bar

Um homem frequenta durante anos o mesmo bar no centro histórico. A mesa onde se senta parece ter memória própria. Ali passaram amigos, amantes, políticos, bêbados e desconhecidos. Certa noite, ele percebe que todos desapareceram e que somente ele continua voltando. Entre observações irônicas sobre a cidade e lembranças fragmentadas, começa a suspeitar que talvez não esteja esperando alguém — talvez esteja esperando o próprio passado.
Eixo: memória, passagem do tempo e solidão.

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UM FIM DE TARDE EM SÃO LUÍS — 1981

Em um fim de tarde chuvoso na São Luís de 1981, um homem solitário afoga sua angústia em doses de bebida enquanto espera por uma mulher que provavelmente nunca voltará. Sentado em um bar decadente, observa a cidade antiga — seus sobrados, ruas molhadas e luzes de mercúrio — transformando tudo ao redor em reflexo de sua própria melancolia. Entre lembranças, delírios amorosos e críticas irônicas ao mundo moderno, ele mistura desejo, álcool e solidão numa espera interminável. Enquanto mendigos atravessam avenidas molhadas e os carros riscam a noite, o narrador mergulha cada vez mais em pensamentos confusos, até sentir que o mundo inteiro gira como uma centrífuga. No fim, resta apenas a ausência dela — e a amarga constatação de que nem o tempo, nem a bebida, nem a imaginação foram capazes de trazê-la de volta.

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